Yassin Amuji: Um exemplo (raro) no Desporto Moçambicano

O presidente do Vilankulo FC, Yassin Amuji, é considerado um exemplo do dirigismo desportivo em Moçambique, por presidir um clube sem sócios e que vive apenas de patrocínios. Não obstante, a sua colectividade é das que melhores condições oferecem aos seus atletas e técnicos.

Há quem diga, por exemplo, que o dirigismo na família Amuji seja algo hereditário. Tal conclusão, ainda que não distante da realidade, ganha razão sabido que Suleiman Amuji, pai de Yassin, é presidente do Concelho Municipal da Vila de Vilankulo, edilidade que em anos seguidos acumula prémios de ser a mais limpa do país.

Mas deixemos a política de lado. Yassin Amuji, por mérito próprio, foi o grande convidado do primeiro Seminário Nacional de Educação e Desporto, evento organizado pela Faculdade de Educação Física e Desportos da Universidade Pedagógica, na cidade de Maputo. O presidente do Vilankulo FC tinha como missão, na conferência, compartilhar a sua experiência com os demais presentes.

Com uma visão estratégica, claramente diferente de muitos, Amuji revelou aos presentes que o Vilankulo FC é de sua propriedade. Aliás, na óptica dele, aquela colectividade deixou de ter sócios por sua iniciativa, visto que os mesmos não pagavam quotas para a sua própria sustentabilidade.

“Tudo começou em 2008 quando recebi um convite do professor Carlos Queiroz para visitar as instalações do Manchester United na Inglaterra. Naquela altura ele era o adjunto de Alex Fergusson. Fiquei maravilhado com o projecto daquele colosso mundial, visto que não tinha nenhum associado, diferente de muitos outros clubes. Foi daí que pensei em implementar um sistema similar no país” revelou para o espanto de todos.

E prosseguiu: “quando voltei da Inglaterra reuni-me com os sócios do Vilankulo para submeter uma proposta de compra do clube. Alguns sócios não conceberam essa ideia, alegadamente porque eu era muito jovem para dirigir um clube. Mas com alguma insistência, até com promessas, eles acabaram aceitando”.

Ultrapassada a barreira, o jovem empresário procurou, de forma imediata, firmar acordos de parceria com algumas empresas nacionais, como são os casos da Vodacom, do Milennium BIM e da SASOL, estes que, por sua vez, exigiram garantias, tendo ele afirmado que tudo estaria sob a sua conta e risco, na qualidade de proprietário de um clube que não depende dos seus sócios.

Já em 2009, um ano depois da sua privatização, o Vilankulo FC deu o primeiro indicador de sucesso ao subir de escalão para o principal campeonato nacional de futebol, o Moçambola.

“Foi um grave erro contratar Chiquinho Conde”

Um dos maiores erros no projecto de Yassin Amuji com o Vilankulo FC foi, sem dúvidas, a contratação de Chiquinho Conde por um período de 10 anos, ou seja, por cinco épocas e com mais cinco de opção. “Depois notei que num país como o nosso esse tipo de contratação não tinha enquadramento. Era de todo arriscado”, sustentou.

“O pessimismo ofusca o empreendedorismo”
Já a terminar a sua explanação, para uma plateia composta por estudantes universitários, dirigentes políticos, desportivos e diversas individualidades ligadas ao mundo do ensino superior e do desporto, Yassin Amuji convidou a juventude presente para que abrace o empreendedorismo. Mas, para tal, “é preciso que deixemos de ser pessimistas. O insucesso está abraçado à crença da nossa incapacidade. Se nós nos distanciarmos do pensamento negativista, nós podemos fazer tudo o que pretendemos”.
Só a terminar e num breve trecho, Yassin falou da actual situação da sua colectividade no Moçambola, tendo dito que acredita na manutenção do Vilankulo FC, apesar da incomoda 13ª posição que ocupa. “Este é um campeonato equilibrado. Reparem que com duas vitórias nas próximas duas jornadas somos capazes de saltar para a oitava posição” fundamentou.

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