Viagens terrestres bloqueiam nossas ambições e… pode terminar numa tragédia

O presidente e proprietário do Vilankulo FC, Yassin Amuji, abriu o seu coração e, em entrevista a nossa reportagem, falou sobre a dura realidade que o clube tem encarado desde que ascendeu ao Moçambola em viagens longas via terrestre a todos finais de semana para jogar, das relações com empresas e clubes, do futuro da sua colectividade. O patrono dos marlins, falou ainda dos males do nosso futebol, da contratação de Chiquinho Conde sem se esquecer da academia que acabou de abrir. As suas viagens para estrangeiro, concretamente na Inglaterra, para visitar o clube na qual é sócio e usa como exemplo a seguir, Manchester United. De 29 anos de idade, Yassin Sulemane Esep Amuji é um nome a ter em conta no nosso futebol, a abraçar um projecto nunca antes visto no panorama futebolístico nacional. Depois de ter sido eleito presidente de Vilankulo FC quando tinha 21 anos, quatro anos depois decidiu comprar o clube passando a colectividade à gestão privada. Casado e pai de três filhos, Yassin é nos dias que corre uma referência a seguir no que toca a gestão desportiva.

Sabe-se de antemão, o futebol no nosso país não gere muita receita mas o Vilankulo FC depois de ascender ao Moçambola, tem dado nas vistas e ameaça os chamados grandes. No seu primeiro ano, os Marlins ocuparam a sexta posição e foram finalistas da taça de Moçambique. No ano passado conservou a mesma posição caindo nos quartos-de-finais da taça de Moçambique nos penaltis diante de Ferroviário de Maputo. Este ano, encontra-se surpreendentemente na quarta posição e reclama os lugares de pódio. É obra, para uma equipa que há quatro anos era um ilustre desconhecido no futebol nacional. Em pergunta e resposta segue a nossa entrevista com o o grande inovador do futebol moçambicano:

1-Três anos no Moçambola e pelos resultados que tem alcançado parecem animadores. Que balanço pode fazer?

Enquanto continuarmos a crescer o balanço será sempre positivo. Não olhamos só para resultados desportivos que são visíveis a todos mas também para aquilo que fazemos e ninguem vê.

2-Olhando para os objectivos e investimentos que tem feito, acha que estão dentro daquilo que desenha?

Com certeza. Estão dentro daquilo que planeamos! Ainda temos muito por fazer e as pessoas não imaginam até onde vai a nossa capacidade. O que precisamos é de tempo e paciência para montarmos aquilo que pode ser o nosso sonho, o sonho da Província e até o sonho de muitos Moçambicanos. Estamos a falar de um clube de futebol a sério, com os mesmos padrões que os grandes clubes da europa.

3- O VFC, surgiu de um nada para o nosso futebol e agora parece merecer outro respeito e chama atenção a muitos apreciadores de futebol intra-murro. Qual é o segredo deste sucesso no curto espaço de tempo?

O nosso segredo está em primeiro lugar na transparência. Nada é feito ao acaso. Todos no clube sabem perfeitamente da situação actual e trabalham para melhorar. Não temos descontentes no clube e quando nos apercebemos que alguém está menos feliz, procuramos saber as razões e colocamos tudo a limpo. No nosso clube cada um sabe qual a tarefa a executar e não ha interferências entre os departamentos. O que mais me admira é que quando se toma uma decisão, todos acatam mesmo que hajam alguns que não estejam de acordo. Se foi uma decisão escolhida pela maioria, todos aceitam e se caímos na cova, caímos todos. Nunca aponta-se o dedo que foi por culpa deste ou daquele. A culpa é de todos nós!

4-De um tempo a esta parte, parece que o VFC tem se apostado nos jogadores com outra tarimba e os que consigo subiu para o Moçambola tende a serem afastados na time. Qual é a meta deste clube?

Os homens vem e vão. O nome do clube permanecerá para sempre. Um dia eu mesmo posso me afastar do clube e colocar alguem que esteja em melhores condições de comandar esta “maquina”. O mesmo acontece com os atletas. Ninguem é eterno. As mudanças são feitas tomando em conta vários aspectos desde os técnicos, comportamento, financeiros, etc. A nossa meta é formar jogadores com “classe”. Isto vai levar tempo tomando em conta que ainda há vários aspectos a seguir. O nosso plantel não é feito de jogadores famosos ou conhecidos no patamar desportivo. Vamos buscar os menos conhecidos e depois de trabalhados aparecem como os conhecidos e muitos clubes passam a cobiçar. Isto já é um bom sinal. Primeiro vamos fazendo esta formação com os atletas que já existem na praça e tem algum potencial e paralelamente vamos formando os nossos “marlins do futuro” que dentro de 6 a 8 anos começarão a aparecer nos relvados. Assim, com essa estratégia, conseguimos resultados a curto prazo, o que se pode ver, e ao mesmo tempo, estaremos a preparar aquilo que será o sucesso do clube no futuro: jogadores formados de acordo com aquilo que são os padrões educacionais da “Escola VFC”.

5- O VFC veio para ficar ou é mais daquelas aventuras que acontece no nosso futebol que entra, singra e desaparece?

As nossas parcerias já dizem tudo: Nenhum patrocinador como a Vodacom, Sasol, Millennium bim iria depositar confiança neste clube se não a transmitíssemos. Isso já diz tudo. Viemos para ficar e “se Deus quiser” seremos o orgulho desta nação. Estamos a trabalhar para sermos o melhor clube do País e conquistar os corações que andavam perdidos por este belo Moçambique.

6-De um tempo para cá, a direcção de VFC trouxe uma forma diferente de estar no nosso futebol chamar a si o protagonismo de grandes eventos. Como estágio fora de país, troca de experiencia e uma gestão descentralizada. Esta política tem dado resultados satisfatórios por aquilo que tem investido?

Estámos a criar parcerias e sabemos perfeitamente quando iremos colher os resultados que procuramos. Estas parcerias vão crescendo juntamente com o crescimento do clube. Desde o ínicio que dissemos que estamos a implementar um “modelo de gestão” que irá ser sustentável para o clube. Só não vê isso quem não quer. Eu poderia dizer que o povo moçambicano já percebeu que o Vilankulo Futebol Clube é diferente dos outros. O povo sabe aquilo que queremos e onde queremos chegar e se calhar já somos a esperança deste povo para um futuro melhor. Mas sabemos também que tarde ou cedo teremos que enfrentar os ditos grandes do nosso futebol pois, pouco a pouco sentimos que eles já se sentem incomodados com a presença do Vilankulo FC.

Ideia de privatização provem depois
de estágio no Manchester United

7-O VFC é um dos clubes que vive numa província em que nos últimos anos o Moçambola não escalava. O seu surgimento na alta-roda mexeu com algumas empresas aponto de o patrocinar algo muito difícil no nosso futebol. Qual foi a estratégia usada uma vez que o nosso empresariado nacional pouco aposta no futebol?

Como já havia dito anteriormente, os patrocinadores só investem quando sentem que há transparência. Aqui as coisas são diferentes dos outros clubes relativamente aos patrocínios. Não ha imposição dos patrocinadores para colocarmos ex-directores ou ex-PCA’s das empresas patrocinadoras como dirigentes dos clubes, enfim, não há “interesses pessoais” por detrás dos patrocínios.

8-O VFC por vezes confunde-se com laços de familiaridade com a Liga Muçulmana e Maxaquene. O que pode estar detrás disso?

Os dirigentes da Liga Muçulmana são meus tios, toda a gente sabe disso e não vou deixar de falar com eles só porque no futebol somos adversários. Quanto ao Maxaquene, eu cresci MAXACA, tenho lá o meu tio, irmão do meu pai e o meu pai fez-me sócio do Maxaquene quando ainda era bebe. Por isso é normal que as pessoas menos conheçedoras do que é futebol confundem estes laços. Dentro das 4 linhas mandam os jogadores e a bola e ninguem entra num jogo para perder.

9-VFC é único clube nacional privado. Quando que nasce esta ideia uma vez que no nosso país não tínhamos algo de género?

Esta ideia surgiu depois do meu estágio em Manchester. Ao fim dos 4 anos do meu primeiro mandato fiz uma viajem a Manchester para analisar e entender o futebol moderno, a gestão transparente e exemplar e no meu regresso apresentei esta proposta aos sócios que tinham as suas quotas em dia, eram muito poucos mas eram os donos do clube na altura. Essa Assembleia Geral demorou aproximadamente 7 horas de tempo. Posso dizer que corri muitos riscos quando tomei essa decisão e provavelmente poderia estar a arruinar a minha vida pois não tinha experiência nenhuma e nem pessoal para implementar este projecto. Aos poucos fui reunindo os homens que estão comigo até hoje neste projecto. Todos éramos inexperientes nesta matéria mas tinhamos vontade de aprender e investigar. A comunicação foi a chave do nosso sucesso para implementação deste projecto.

10-Pelos investimentos que tem feito, tem conseguido retorno?

Retorno??? Se for financeiro pode ter a certeza que nem de binóculos consigo ver. Mas posso afirmar que o maior “retorno” que tive foi conseguir cumprir com tudo aquilo que prometi naquela Assembleia Geral que mudou a imagem do Vilankulo Futebol Clube. Tenho a certeza que todos que estavam presentes nesse dia estão conscientes que tomaram a decisão correcta.

CHIQUINHO É MELHOR TREINADOR DESTE PAÍS

11-Mais uma vez, supreendeu o país ao rubricar contrato de 10 anos com Chiquinho Conde algo jamais visto no mundo. Quais são as suas pretensões com o técnico?

Não preciso dizer a ninguem que Chiquinho Conde é o melhor treinador deste País. É como treinador e foi como jogador “verdadeiramente moçambicano”. Todos nós sabemos disso que acredito ser a pessoa ideal para implementar o projecto que nós temos no clube. Ele tem muita paciencia com os “jovens” e está a fazer um belíssimo trabalho. Acima de tudo, a sua humildade e a sua forma de estar enquadra-se perfeitamente na imagem do Vilankulo Futebol Clube. Todos o respeitam dentro e fora do País. Em Portugal, tanto em Setúbal como em Belém, Chiquinho é conhecido pela humildade. Ele realmente transmitiu uma “grande” imagem dos moçambicanos além fronteira e é com muita pena que nós ainda não sabemos como aproveitar isso.

12-VFC ganhou atributo de ser uma referencia a seguir no que toca a gestão desportiva pelos prémios que já conquistou. Qual é o segredo de isso tudo?

O nosso sucesso está na forma como lidamos um com outro. Todos nós aceitamos quando estamos errados e tentamos corrigir. Entre os dirigentes existe uma harmonía como se de família tratasse e o mais importante, há gente no clube que não está interessado em “aparecer” como os obreiros, e sentem-se felizes só por saber que o clube está a crescer. Quem aparece sempre é o Presidente mas posso garantir que existe uma máquina espectacular que sempre trabalha para que este Presidente apareça sempre bem.

SE NÃO FOSSE AS VIAGENS ESTARIAMOS A LUTAR PELO TÍTULO

13-Falando de Moçambola, o VFC tem sido o clube muito mais prejudicada pelas constantes viagem terrestre. O que deve mudar no seu entender?

Se não fosse pelas viajens terrestes provavelmente estaríamos a lutar pelo título, mesmo sem termos feito um investimento para tal. Isto prova que os jogadores que temos são uns “verdadeiros campeões”. É um crime isto que acontece com o Vilankulo FC, honestamente, algumas pessoas não querem ver isso mas no dia que acontecer um “desastre” poderá ser tarde. Aproveito aqui lembrar que já temos na história do futebol moçambicano o “Wan Pone” que desapareceu após um acidente de viação onde metade do seu plantel morreu.

14-Ainda sobre o nosso campeonato, o que está faltar para ganhar aquela competitividade como tem sido de outros da região?

Competitividade só será possível se estivermos minimamente equilibrados em todos aspectos. Estádios, relvados, treinadores competentes, jogadores com formação académica e desportiva, dirigentes com conhecimentos concretos, árbitros bem preparados fisicamentes e com equipamentos tecnológicos, transmissões televisivas com melhor qualidade, cobertura de jogos pela imprensa mais aprofundada, e, acima de tudo, uma valorização conjunta daquilo que é nosso, o nosso futebol, desde os recreativos, distritais, provinciais, etc. Por exemplo, sempre que abro alguns jornais da praça, encontro mais notícias do estrangeiro do que nacional. O pior é que as notícias dos campeonatos estrangeiros, são autênticos “COPY PASTE” de outros jornais desportivos que se encontram disponíveis na internet como o caso do A BOLA, RECORD, O JOGO, etc. Há que valorizar mais o que é nosso e ir a busca de mais conteúdo local. Posso fazer uma pergunta aqui que ninguem vai conseguir responder: Qual é o jogador com mais assistências para golo no Moçambola? Niguem sabe, porque? Até falhamos na informação dos melhores marcadores porque não colhemos dados concretos. Se entrarmos no site da Liga Inglesa, logo na página inicial encontra-se estes dados gerais da própia competição: número de jogos disputados, número de vitórias, número de empates, total de remates a baliza, total de remates para fora, total das nacionalidades dos atletas que estão a jogar a liga inglesa, total de jogadores que já jogaram, total de golos, total dos “hat-tricks”, totais dos cartões amarelos e vermelhos e até o total das assistências até ao momento em todos os campos. Por isso, o futebol não depende deste ou daquele, mas sim depende de todos os envolventes como já mencionei acima.

15-Mesmo a ganhar algum equilíbrio nestes três anos no Moçambola, o VFC já trocou três treinadores. Por que motivo?

Trocamos treinadores porque estavamos a procura de um treinador que se enquadrava dentro dos nossos projectos. Mas se formos a ver de acordo com a realidade actual do Moçambola, diria eu 90% dos clubes já trocou mais que três vezes de treinador em 3 anos. Mas acreditamos que encontramos em Chiquinho Conde aquilo que procuravamos num treinador.

16-Falando das trocas e muitas vezes não foi assim tão passivo com os demissionários a se queixarem de ser vítimas e alguns a apontar o dedo indicador ao presidente de tentativa de interferir no trabalho técnico. Pode-nos explicar?

Nunca interferí e ninguem da direcção jamais tenha interferido nos trabalhos dos treinadores. O que acontece é que muitos treinadores não sabem trabalhar em equipa, em grupo e pensam que eles sozinhos são os obreiros dos resultados e esquecem o grande esforço que as direcções dos clubes fazem para garantir um bom ambiente de trabalho. Um treinador sozinho não faz nada e aqui no nosso País, até do adjunto desconfiamos acusando que quer o nosso lugar de treinador. Como é que o Sir Alex Ferguson do Manchester United consegue trabalhar com 8 treinadores auxiliares? Ele tem o treinador adjunto dele, tem o treinador de guarda-redes, tem o treinador dos defesas, dos médios e até dos avançados, tem preparadores físicos específicos entre outros. Todos os grandes clubes no mundo trabalham assim. Um treinador não vai a um clube para romper todo o plano estratégico do clube. O treinador deve é enquadrar-se no plano estratégico do clube e juntar a sua filosofia e experiência para juntamente com o clube adquirir o sucesso desejado. Caso isto não seja possível, de certeza que vai acabar despedido.

17-Sobre Abdul Omar, último a sair, chegou-se a falar que o técnico socorria-se de obscurantismo para colocar a equipa a vencer os seus jogos. Aliás, chegou-se a falar que o treinador teria proibido o presidente de sentar-se no banco por não ter participado num dos rituais. Pode esclarecer este facto?

Relativamente a saída de Abdul Omar tudo já foi esclarecido. Foram vários os erros cometidos por ambas as partes, tanto da parte do treinador como da parte da direcção. Houve muita falta de diálogo e isso acabou reflectindo a saída antecipada do treinador.

18- Ainda no mesmo episódio, falou ao alto que o presidente teria recusado ir tomar banho de praia com a equipa as 4h de madrugada o que pesou para a derrota no jogo daquele dia. Pode nos confirmar?

Falou-se sim disso, em plena TVM, mas mais tarde também falou-se que tanto o Presidente como o treinador já tinham feito as pazes, ja teria havido pedidos de desculpas por ambas as partes mas disso já ninguem pergunta, se calhar porque não interessa. O que mais interessa é a polémica não?

FAMÍLIA SEMPRE IDENTIFICA-SE COM O CLUBE

19-Em relação as suas motivações sobre a equipa, qual é o sentimento da família perante essa sua entrega?

A minha família está do nosso lado. Também sofrem com o clube, sofrem quando perdemos e alegram-se quando vencemos. Aliás, mensalmente a minha mãe, minha esposa e minhas irmãs dão um jantar a todos os atletas, treinadores e dirigentes.

20-Yassin presidente, Yassin empresário e Yassin pai de família. Qual é a diferença entre estas três figuras e ser a mesma pessoa?

Não existe diferença nenhuma, sou a mesma pessoa em casa, no serviço, no clube e até na estrada. Diria eu que num outro País, um dono dum clube é muito mais executivo, anda de fato, guarda-costas, escolhe com quem fala... eu falo com todos, sou amigo de todos, as vezes vou ao campo de chinelos e calções. Não vejo porque mudar a minha verdadeira identidade, aquela a que me sinto bem. É claro que nas reuniões tenho que ir mais executivo mas posso garantir que não mudei o meu dia a dia só por ser aquilo que me tornei...

21-Por vezes as suas indicações e decisões entram em choque com as do teu pai no campo de futebol quando estão assistir o jogo. Isso não interfere na vossa relação?

Indicações não, ninguem dá indicações durante o jogo, damos sim comentários e sabemos que cada um tem os seus pontos de vista. O meu pai é livre de dar as opiniões que quer, não interfere em nenhum momento na nossa relação. Nós nos entendemos bem e isso é o mais importante. O melhor de tudo é que não precisamos de estar de acordo em tudo para termos uma boa relação. É impossível dois seres humanos terem sempre a mesma opinião. Até um casal tem opiniões diferentes, agora o que é preciso é saber respeitar a opinião de cada um.

22-Se bem que Yassin assumiu a presidência da equipa, mas por vezes dá a entender que seu pai também confunde-se com o presidente. Isso que lhe constrange?

Em nenuhum momento fico constrangido com isto. Existe um segredo que ninguem sabe... No dia em que fui escolhido para ser o Presidente deste clube, eu tinha 21 anos, e pedi um intervalo de cinco minutos. Nesse intervalo, tentei ligar ao meu pai e ele estava reunido, então enviei-lhe um sms a contar-lhe o sucedido e perguntei o que ele achava, onde ele acabou respondendo: “Vai em frente”. Provavelmente ele tenha se esquecido de mostrar onde está o travão (risos). O meu pai várias vezes dá as suas opiniões e eu muitas vezes converso com ele para colher a experiência dele, mas as decisões do clube cabem somente a mim e a minha direcção. Isso não constrange a mim e acredito que nem constrange a ele quando as vezes tomo decisões que não sejam os ideais dele.

FUTURO DE FUTEBOL NACIONAL PASSA PELA FORMAÇÃO

23-Falando de VFC, já tem uma academia. Qual é o projecto ou futuro desta academia?

Academia é o nome que se dá a uma Instituição que se destina ao ensino de prática de desporto, ginástica, entre outros, mediante equipamentos e metodologias específicas. A nossa Academia já tem alguns equipamentos e uma metodologia específica mas ainda está longe de ser aquilo que queremos. Precisamos ainda dum ginásio, uma sala de jogos, relva sintética, piscina, entre outros. Vamos aos poucos ir completando este projecto e continuar a melhorar as condições de trabalho para colhermos resultados positivos a nível de formação.

24-Não se sabe se, a filosofia usada na equipa sénior é a mesma da academia de modo que, os miúdos cresçam com a mesma mentalidade de se posicionar e abordar o jogo.

A filosofia é a mesma, o Chiquinho Conde é também o Director de Formação e faz o devido acompanhamento deste processo todo de modo a que tudo se enquadre nos ideais do clube.

25-Aliás, o VFC só movimenta futebol. Podemos dizer que VFC está somente interessado em movimentar futebol e mais nada?

Neste momento estamos só virados para o futebol. Se um dia tivermos que movimentar outro desporto então pensamos que poderá ser o atletismo porque achamos que existe muito potencial em Moçambique. Mas só faremos isso quando estarmos preparados e só para tentar lançar novamente aquela imagem que a nossa atleta Lurdes Mutola deu ao nosso País.

26-Qual é a relação VFC e outros clubes nacionais?

O Vilankulo FC tem boas relações com todos os clubes, apesar de alguns clubes darem-nos algumas cabeçadas, principalmente no “roubo” de atletas mas, isto só acontece porque os atletas também não são honestos e fazem jogo duplo. Mesmo depois de ter um compromisso, um atleta acaba assinando por outro clube sem pensar nos prejuízos que isto pode causar.

27-Já pensou em criar parceria com clubes de estrangeiros?

Estamos sempre a procura de parcerias. Continúo a achar que o melhor mercado para os jogadores moçambicanos é Portugal mas esta é a minha opinião pessoal. Como clube, o Vilankulo FC tem estado em contacto constante com vários clubes e Instituições desportivas a procura de parcerias benéficas para todos os intervinientes.

28-Qual é a relação do clube com outras instituições?

O Vilankulo FC cresceu duma forma muito rápida, a velocidade do MARLIN, o peixe mais rápido dos oceanos que chega a atingir 110 Km por hora e este crescimento criou uma certa simpatia dentro dos Moçambicanos e das empresas Moçambicanas em relação a este clube. O nosso modelo de gestão também é algo que faz com que outras Instituições acreditem no nosso potencial e acredito que estamos a caminhar para aquilo que sempre foi a nossa visão, tornar-se numa referência Nacional e Internacional.

29-Sobre a responsabilidade social, o quê que o clube tem feito na vila?

Nós temos feitos várias actividades, desde movimentação de torneios envolvendo crianças dos 6 aos 12 anos, visitas a hospitais, escolas, cadeias e empresas privadas. Recentemente visitamos uma escola em parceria com o Hospital de Vilankulo onde oferecemos escovas de dentes e pastas dentífricas e os médicos do Hospital deram uma explicação detalhada às crianças de como escovar correctamente os dentes. Visitamos tambem em julho o novo Hospital onde oferecemos acima de 200 mantas a cada doente para se protegerem do frio nessa altura. Gostariamos de poder fazer mais, mas infelizmente ainda não temos meios financeiros para isso. Iremos continuar a buscar parcerias para continuar com estes actos de responsabilidades sociais.

30-Para terminar, que futuro VFC teremos no Moçambola?

O que podemos prometer é que continuaremos a crescer gradualmente. Sabemos que iremos encontrar dificuldades ano após ano, mas a nossa tarefa é aprender a ultrapassar essas difuculdades para continuarmos a crescer em busca dos nossos objectivos.

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